Traição

Olá a todos! 🙂 Como vão?

Já que repostei um artigo sobre a Confiança, porque não falar um pouco do seu oposto: a traição. Afinal, já faz um tempo que não escrevo uma postagem realmente nova, não é?

Antes de tudo, quero avisar que irei contra-argumentar e concordar com opiniões de outras pessoas no decorrer deste post. No entanto, quero esclarecer que não tenho a mínima intenção de desrespeitar a visão de ninguém. Estou apenas usando-as como base para expressar a minha. E, é claro, estou aberto a ouvir pontos de vista distintos. Ninguém é dono da verdade, e conhecer outros ângulos do assunto, independentemente de concordar ou não, enriquece nosso olhar.

Traição
Traição – Foto retirada deste site.

Vamos começar com a definição da palavra em si, embora eu tenha certeza que seu significado é compreendido por todos.

1. quebra da fidelidade prometida e empenhada por meio de ato pérfido; aleivosia, deslealdade, perfídia.

2. crime cometido pelo cidadão que, perfidamente, pratica ato que atenta contra a segurança da pátria ou a estabilidade de suas instituições.

Resumindo, trair é quebrar a confiança que nos é depositada por alguém. A grande maioria associa este tema com relacionamentos amorosos, mas ele é válido para todos os tipos de relacionamentos. Todavia, enfocarei nas traições amorosas.

Andei dando uma fuçada em vários sites e blogs, e seus respectivos comentários, para ter uma ideia geral de como está a situação em nosso país. Infelizmente levei um grande susto!

Boa parte das pessoas estão convictas de que trair é algo normal, sendo que muitas delas já o fizeram. E, pior, acreditam que é uma forma de respeitar os desejos do próximo. Algumas postagens dão argumentos tão bem estruturados que quem não tem opinião bem formada, ou quem está inconscientemente (ou conscientemente) buscando por um “ok” para trair, vai cometer o ato na primeira oportunidade, pois é “natural”.

Mas, antes de falar sobre isso, vamos discorrer as principais motivos das traições (e vou contra-argumentar todos eles):

  • Insatisfação com o parceiro: por alguma razão, não se está plenamente satisfeito(a) com a pessoa ao lado. Muitas vezes, gosta-se deste(a), mas falta algo (pode ou não estar relacionado ao sexo).
    Contra-argumento: se está insatisfeito(a), então que tal conversar para resolver isso com o(a) parceiro(a)? Se realmente gosta/ama, então é uma boa forma de solucionar isso. Agora, se não há mais sentimentos, ou se não tem vontade de resolver isso, ao invés de trair, termine o relacionamento primeiro, não há necessidade de ferir o próximo a toa.
  • Medo de trocar o certo pelo duvidoso: sabe-se que o(a) parceiro(a) é excelente em vários sentidos, mas não tem mais nenhum sentimento por este(a). Não termina, pois acha que será difícil de encontrar alguém com estas qualidades, além de ser mais cômodo.
    Contra-argumento: primeiramente, é um pensamento totalmente egoísta. É uma situação em que todos saem infelizes, pois a própria pessoa se sentirá incompleta. Além de machucar muito o(a) parceiro(a).
  • Provar a masculinidade (claro, esta é exclusiva dos homens): fruto da cultura machista, onde o homem que é macho deve “catar” muitas mulheres. Isso é incentivado, inclusive, por alguns pais.
    Contra-argumento: acho que nem preciso escrever muito, né? Não existe relação alguma entre masculinidade e a quantidade de mulheres que “catou”. É uma atitude que só “usa” as mulheres, rebaixando-as a objetos de prazer e troféus para se gabar. Em minha opinião, tanto homens, quanto mulheres que agem desta forma são pessoas desrespeitosas consigo mesmas e com os próximos (principalmente com o(a) parceiro(a)).
  • Desejo de novas experiências: aquela busca por uma nova aventura, para quebrar a monotonia. A vontade de “experimentar” coisas novas com pessoas diferentes.
    Contra-argumento: se está monótono, a solução é o diálogo. Converse com o(a) parceiro(a), para poderem tomar atitudes que revertam essa rotina sem cor. Apimentar a relação é sempre bom! Se for experimentar coisas novas, por que não com o(a) amado(a)? Agora, se mesmo assim tem vontade de “experimentar outras carnes”, então termine o relacionamento primeiro, aí estará livre para fazer o que quiser sem machucar ninguém.
  • Para sentir-se sexy/desejado: segundo a ex-garota de programa, Vanessa de Oliveira, ocorre principalmente com casais de longa data, onde deseja-se verificar se ainda é desejado no “mercado” (fonte aqui, onde há também a visão da psicóloga Ana Maria Zampieri, sobre as motivações da traição.).
    Contra-argumento: isso é questão, novamente, de ego. Se já está feliz no relacionamento, qual o motivo de querer atrair olhares de terceiros? Isso é totalmente diferente de querer estar bem arrumado(a) para agradar o(a) parceiro(a), o que é algo positivo (e recomendado). Se há interesse em chamar a atenção de outros(as), então, talvez seja bom rever os sentimentos, talvez o amor tenha acabado e, se for o caso, é melhor terminar a relação.
  • Instinto animal: a desculpa mais dada, a de que “a carne é fraca”. Muitos dos traidores dizem que é impossível controlar o desejo (sexual) quando alguém atraente dá mole.
    Contra-argumento: para mim, é uma desculpa esfarrapada. Mas, se é tão irresistível assim, então não tenha relacionamentos sérios. Machucar o próximo por causa do prazer próprio é, mais uma vez, egoísmo.
  • Vingança (mais praticado pelas mulheres): ele deu mancada, então a traição é o “troco”.
    Contra-argumento: ao invés de dar a traição como troco, termine e procure alguém que não dê tanta mancada. Aliás, a mancada deve ser grave, para chegar ao ponto de querer trair. Para o meu entender, isso é falta de cumplicidade entre o casal. Errar todos erram, se a cada erro cometido houver troco, então é melhor não se relacionar. Falei bastante disso em outro post.
  • “Não faço isso com minha mulher, só com outras” (para os homens): algumas “coisas” que se tem vontade de fazer durante o sexo, que são consideradas “sujas” ou “obscenas” demais, sendo impróprio para a amada parceira, portanto, deve ser feita só com as “outras”.
    Contra-argumento: Fazer “essa coisa” com outra mulher é ainda mais obsceno e sujo (além de desrespeitoso com as “outras” e com a própria esposa/namorada). Se fizer isso, é melhor terminar antes, para não corromper/sujar a sua amada mulher. – Na verdade, isso é uma desculpa machista. Sobre as preferências e fantasias sexuais, deve-se haver sempre diálogo entre o casal, para que ambos estejam sempre realizados. E, de preferência, sempre inovando, pois não há obsceno para um casal que é amante entre si.
  • Príncipe encantado (para as mulheres): muitos falsos românticos que, usando-se de suas habilidades de Don Juan, encantam as moças mais românticas.
    Contra-argumento: Esses falsos românticos são muito mal vistos por mim, pois prejudicam as atitudes dos verdadeiros românticos. Mas enfim, por mais tentador que seja, trair ou não é questão de caráter, por tanto, ao meu entender, isso é apenas uma desculpa. E, se realmente aparecer um homem tão maravilhoso assim, que seja impossível de resistir, então termine o relacionamento, e fique com ele sem peso na consciência e, sem estilhaçar a confiança que o atual parceiro tem em você!
  • “Eu amo tanto minha mulher, visualizo tanta coisa em nosso futuro, tenho tanta confiança em nossa relação que não vejo problema algum em ficar com outras”: frase retirada deste artigo.
    Contra-argumento: Por que ficar com outra? Teste de confiança? Ao meu ver isso é quebra de confiança. Atitude egoísta, pois não está vendo os sentimentos do(a) parceiro(a), além de estar só usando as “outras” para o prazer. Na própria frase percebe-se traços do egocentrismo, na parte “(eu) não vejo problema em ficar com outras”. Será que a parceira também não vê problemas? Então não seria melhor dizer “nós não vemos problema em cada um de nós ficar com outros”? Mas aí, não é mais traição, pois é de comum acordo de ambas as partes, não havendo quebra de confiança.

Devem haver muitos outros motivos (desculpas) para se trair, mas acho que já está de bom tamanho. Quanto aos meus contra-argumentos, repararam que são todos bem parecidos? Tudo gira em torno do egoísmo/egocentrismo de quem trai e, a solução é sempre terminar antes de trair.

O que me preocupa é que tem até psicanalista dizendo que trair é normal, e a tendência é a sociedade passar a associar isso como algo natural, deixando de ser traição, em outras palavras, ter vários parceiros será o “correto” (palavras de Regina Navarro Lins. Veja aqui.). Daqui a pouco vamos sair por aí, nos relacionando com quem tivermos vontade, à torto direito.

Traição
Traição – Foto retirada deste site.

Há quem diga que os valores de que trair ser um fato errôneo, vem de pessoas com a mente restrita, que não compreendem que as pessoas são livres para terem o desejo que quiserem e, é egoísmo o parceiro querer impedir isso. Ou seja, o errado é quem é traído (!).

Eu retruco isso dizendo que liberdade não é ir fazendo o que bem entende. Liberdade é respeito ao próximo, sem ela, tudo tende ao caos. Um rápido exemplo para ilustrar esta questão da liberdade: Imaginem uma orquestra musical, já pensaram se cada músico que a compõe, por se achar livre, começar a tocar como bem entende, sem respeitar a partitura e os colegas? Certamente não sairia música alguma, e sim uma barulheira insuportável.

Na realidade, quem trai é que é egoísta, pois não considera/respeita os sentimentos do(a) parceiro(a). Um artigo que li diz que a traição é relativa, vou até transcrever um trecho:

“Observe como alguns se sentem traídos quando o outro sai para dançar sem avisar, enquanto outros não se sentem traídos quando rola sexo, mas sem envolvimento. A questão não depende exatamente das expectativas e acordos prévios, mas de como nos sentimos ou não traídos. É possível se sentir traído sem ter nenhum acordo rompido, assim como é possível não se sentir traído mesmo quando alguma expectativa se quebra.” (Gustavo Gitti. Trecho retirado deste artigo.)

Tudo bem que o sentimento de ser traído pode variar de pessoa para pessoa. E isso deve sim ser ponderado, para não virar caso de ciúmes extremo. Mas, a partir do momento que se está em compromisso com alguém, é preciso considerar os sentimentos do(a) parceiro(a). Se este autorizar que o namorado(a) faça sexo com outros(as), então não há traição, agora se é preciso esconder dele(a), já é outra coisa. É quebra de confiança, portanto, é traição.

Teoricamente, quando se namora (ou se está casado, noivo, etc.), conhece-se bem um ao outro, certo? Então, deve-se saber se o(a) parceiro(a) se importa ou não de ser “traído” (entre aspas, pois, de novo, se ele(a) não se importa, então não é traição, ao meu ver). Por outro lado, fazer sabendo que ele(a) se importa, é enxergar somente o próprio prazer, é o mesmo que dizer que não se importa em machucar o(a) atual parceiro(a). E isso não é expressar a própria liberdade de manifestar os desejos, pois está ferindo alguém.

Para exemplificar melhor, imaginem se alguém, andando na rua, ao cruzar com outra pessoa, começar agredi-la do nada, porque deu vontade, ou porque não foi com a cara dela. Isso também seria o direito de manifestação dos desejos, portanto, algo aceitável? Ou será que ferir os sentimentos de alguém é menos grave do que a ferida física? Creio que não….

Há também, quem defenda que é muito melhor amar sem compromisso. O casal fica junto, mas quando dá vontade, fica com outros. Isso funciona pelo simples fato de não haver laço algum entre os dois. É como se fosse um(a) amante preferido oficial, ao invés de namorado(a)/noivo(a)/marido/esposa, em meio a tantos outros amantes. Sendo assim, qual o sentido de se relacionar? Não seria melhor ficar solteiro, sendo livre para ficar com quem quiser?

Essa mentalidade é apenas a prova de que o conceito de amor foi totalmente distorcido. O importante é manter a pessoa “amada” ao seu lado, independentemente se ele(a) está traindo.

De fato, não podemos controlar o desejo do outro(a), todos temos liberdade, porém, ao concretizar o ato, este(a) está demonstrando que não possui o bom caráter e a sinceridade de lhe expressar isso, além de dizer que há outros(as) que podem substituí-lo(a) na cama, ou como companhia especial. Creio que se esse desejo é despertado, e não há vontade o suficiente de pará-lo, então já não há mais amor.

Penso eu que, o que as pessoas precisam entender é que, em um relacionamento, estão envolvidos outros sentimentos além dos seus próprios.

“Analisando os relacionamentos modernos percebemos que ninguém está muito interessado em manter um relacionamento por muito tempo, já entram de cabeça num namoro, noivado, casamento ou coisa do tipo no intuito de que ‘se não der certo tanto faz , separa’. Mas não é bem assim temos que entender que não entramos num relacionamento sozinhos, existe sentimento se não os seus, mas os da outra pessoa e não podemos passar por cima disso, achando que podemos fazer o que quiser que não trará consequências.” (Mariane Magno. Trecho deste post.)

Ao meu ver, ao invés de aceitar a traição como algo normal, devemos começar a plantar um pouco mais sobre o que é amar verdadeiramente, o significado do sexo (não, não é só para sentir prazer próprio), o valor dos laços com outras pessoas, além de apresentar a palavra “confiança” e “bom caráter”. Acredito que nós deveríamos admirar e elogiar as pessoas que não traem, ao invés de enaltecer quem trai.

Por fim, o que se deve fazer quando é traído?

Não há uma resposta certa, pois tudo depende da personalidade de cada um. No entanto, acredito que o perdão deva ser concedido, afinal, perdoar é uma virtude. Todavia, perdão é diferente de voltar a confiar. Aí vai da consciência e do gosto de cada um, em querer prosseguir o relacionamento mesmo sem confiança, ou terminar e buscar por alguém em que possa confiar com segurança. Eu, particularmente, escolheria a segunda opção.

Antes de encerrar, mais uma vez, quero deixar claro que tudo isso é apenas minha opinião. Posso estar equivocado, talvez a maioria esteja certa e trair seja algo natural e deva ser aceito no dia a dia (?), todavia, acho quase impossível alguém conseguir me convencer disso.

Por hoje é só!

E nunca se esqueçam! O maior de todos os tesouros são os seus sonhos!

Abraços!

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