Sobe o preconceito e o racismo

Olá a todos! 🙂 Como vão?

Aproveitando que eu repostei sobre “Brincadeira x Ofensa“, e pegando carona no acontecimento recente, onde o apresentador Raul Gil foi desrespeitoso (ou, como muitos sites estão dizendo: “racista“) com o grupo coreano KARD (카드), vou falar sobre o preconceito, e a partir de quando ele se torna falta de educação/respeito.

(* OBS.: Antes que achem que estou puxando saco do grupo, eu não sou fã do KARD, para ser sincero, não os conhecia até ler esta notícia.).

Quando o preconceito se torna falta de educação
Imagem retirada deste artigo.

Lendo esta minha introdução, muito vão pensar: “mas, o preconceito não é sempre falta de educação?”. E a resposta, ao meu ver, é não! Cada pessoa tem o direito de ter preconceito contra algo/alguém, desde que trate o mesmo com o devido respeito. Na verdade, todos criam preconceitos com base em experiências e/ou informações obtidas anteriormente.

Dando um exemplo hipotético, suponhamos que você acabe de mudar de cidade e, em sua nova escola ou emprego, você seja bem recebido, mas todos com quem você conversa comentam para tomar cuidado com o Sr. X, pois ele é fofoqueiro. Você não conhece o Sr. X, nem sabe se o que todos dizem é verdade, certo? Mas, certamente, já criou um preconceito em relação a este, evitando contar muitos detalhes de si para o mesmo.

Outro exemplo: Imaginem que você tenha nascido e crescido numa tribo Y, e lá eles ensinem desde a infância o quão ridículo são os rituais religiosos da tribo Z (que, na verdade, só são diferentes do da tribo Y), a ponto de o senso comum é dar risada destes, e fazer piadas do mesmo. Mesmo que você nunca tenha visto de fato esses rituais, já foi criado o preconceito de que eles são ridículos, e, se um dia, tiver a oportunidade de vê-los, provavelmente o fará com uma predisposição de ridicularizá-los, ou no mínimo, dar risada destes.

Viram como o preconceito é fácil de ser criado? Ele é um posicionamento concebido previamente através informações obtidas no convívio e/ou experiências vivenciadas e, depois, generalizadas. Para ficar mais claro, vamos definir, o que é preconceito? No Google, temos as seguintes definições:

“Qualquer opinião ou sentimento concebido sem exame crítico.”
“Sentimento hostil, assumido em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância.”

Com isso, é mais fácil de explicar que o preconceito não é desrespeito, desde que não se cometa ações hostis ou prejudiciais ao alvo deste. Todavia, é claro que é algo negativo de se ter, pois gera mal entendidos, e enganos.

Já o racismo, é o preconceito contra alguma etnia. Geralmente cria-se estereótipos para cada uma, e tem-se reações negativas em relação às mesmas, indo desde repúdio, ódio, aversão, inferiorização, até deboche e gozação. No caso do acontecimento citado no início desta postagem, houve deboche do sotaque/modo de falar asiático e dos traços físicos.

O apresentador Raul Gil recebia em seu programa o grupo sul-coreano KARD, e é perceptível o constrangimento destes durante a entrevista. Para mais detalhes, leiam esta noticia. Caso queiram assistir, tem no Youtube.

São três pontos que quero abordar sobre esse vergonhoso ocorrido. O primeiro é a falta de respeito para com os orientais. Não entendo onde se vê graça em debochar do modo de falar ou dos traços físico dos asiáticos (ou de qualquer outra etnia). São culturas e povos distintos, e é natural que sejam diferentes. Como brasileiro, fico envergonhado em saber a repercussão internacional que teve o ocorrido. E, como descendente de orientais, fico indignado pelo ultraje cometido, nunca gostei desse tipo de piadas. É bem visível o desconforto dos integrantes do grupo convidado, bem como da intérprete, e das crianças que apresentaram uma dança do KARD antes destes entrarem.

O segundo, é que eu não compreendo o motivo desse alvoroço todo agora, já que não foi a primeira vez que ele fez esse tipo de piadas. Ele sempre mexeu desse jeito, todas as vezes que houveram convidados orientais, mesmo no seu antigo programa de calouros, ou em algumas das conversas que ele teve com a famosa e fofa Melissa Kuniyoshi, caloura mirim (que hoje não é mais tão mirim), que chamou atenção do Japão graças ao programa do mesmo, e foi escoltada para se aprimorar para lá. Mas, ninguém nunca falou nada sobre isso, alguns até riam junto. E, agora, só porque ocorreu com um grupo famoso, e repercutiu na mídia internacional, o povo caiu em cima do Raul? Por que não o fizeram antes? Lembrando que o apresentador em questão não é a única pessoa que faz esse tipo de “brincadeira”, elas são até comuns no dia a dia (como descendente, sei disso), portanto, ele representa sim uma parcela do povo brasileiro.

E o terceiro ponto, é sobre a reação do Raul Gil. Achei digno ele reconhecer seu erro, e querer repará-lo, inclusive convidando o cônsul coreano para conversar e desculpar-se. E, em minha opinião, ele deve ser perdoado, pois, é compreensível que ele não tem intenção de ofender ninguém com as brincadeiras dele. Todavia, obviamente, isso não justifica o seu erro, isso é uma questão de se colocar no lugar do outro, de observar a reação e, ao perceber que não está sendo bem sucedido na piada, parar. É o que discorri em meu post anterior, sobre a linha que separa a brincadeira da ofensa. Uma brincadeira é quando todos riem e se divertem com ela, mas, se alguém se ofende, machuca ou fica desconfortável, então não é mais uma brincadeira saudável.

Com isso, quero destacar que não estou condenando o apresentador, afinal, ele é um dos únicos que promovem a cultura asiática, tanto a japonesa, quanto a coreana. E, por isso, percebe-se que ele não tem desgosto pelas mesmas. Estou apenas discorrendo sobre o fato das piadas dele não serem muito agradáveis, sendo de mal gosto, e podendo ser de teor preconceituoso (mesmo sem intenção).

Somos todos seres humanos, mesmo que cada um tenha características físicas diferentes (atribuídas pelas respectivas etnias), e culturas distintas, todos merecem o mesmo respeito. Reparar e mexer com uma característica étnica ou cultural do próximo é tão ou mais feio do que ficar falando dos defeitos e falhas alheias. Pois, além de mostrar a falta de educação, está provando que tem a mente estreita, já que não consegue perceber que ter cultura e raça diferentes, não muda o fato de todos serem seus semelhantes.

Bom, por hoje é só!

E, nunca se esqueçam! O maior de todos os tesouros são os seus sonhos!

Abraços!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s