Indústria da Beleza

Post escrito originalmente em 14 de fevereiro de 2016.


Olá para todos! 🙂 Como estão?

Hoje irei discorrer sobre um assunto muito sério atualmente. Falarei sobre a indústria da beleza, o padrão de beleza criado por ela e suas consequências na sociedade.

Indústria da Beleza
Indústria da Beleza – Imagem retirada desta postagem.

A ideia desse post veio de um pequeno documentário muito positivo que assisti recentemente, que fala sobre pessoas que vão contra a esse padrão e estão se “libertando” da paranoia de querer ser igual aos modelos. (Veja aqui). No caso do vídeo, é focado no cabelo, mas irei discorrer sobre o assunto como um todo.

Não é novidade que vivemos em uma sociedade consumista, fruto do capitalismo, cuja liberdade comercial e industrial visa sempre o lucro. Além disso, é sabido que a principal ferramenta desta é a publicidade.

Uma das grandes missões de um publicitário é encontrar brechas nos desejos dos potenciais consumidores, para transformar estes em necessidades a serem atendidas pelo produto/serviço de seu cliente. Para isso, há estudos comportamentais e psicológicos do público-alvo para ter-se mais eficácia na criação da campanha publicitária, afim de atingir o alvo.

Atualmente, em plena predominância da cultura das aparências, onde o “ter”/”parecer” é mais importante do que o “ser”, as pessoas buscam satisfação e status através de produtos. Esse é o poder das marcas, que chamamos de branding, onde agregamos valores a determinada marca e, esta faz com que o usuário da mesma tenha a sensação de ser a imagem que esta passa. Por exemplo, se usar o tênis da marca X, o indivíduo será visto como descolado; se usar o desodorante/perfume Y, ele se tornará mais atraente.

E, para mostrar isso, usa-se nos anúncios, pessoas bem-sucedidas em relação a imagem que desejam passar. No entanto, não é só isso, são sempre atores/atrizes/modelos com um certo padrão de beleza, e com corpos perfeitos, que aparecem nesses comerciais. Ou seja, inconscientemente, as pessoas associam o sucesso, o status, o estar bem na vida, com este padrão.

A coisa fica mais pesada se entrarmos nos anúncios relacionados à indústria da beleza. O que é ser uma pessoa bela? Existe um padrão? E quem está fora do padrão? Deve viver excluído? Ou precisa submeter-se à faca para atender a este padrão?

Isso destrói a autoestima, principalmente das mulheres, mas os homens também tem sido afetados, vide os metrossexuais. Afinal, eles induzem as pessoas a se compararem com o(a)s modelos e estão afirmando que para serem aceitos na sociedade, para serem pessoas bem sucedidas, para serem felizes, é preciso ser assim. E, dizem que se consumirem os produtos deles, assim será.

Lembrem-se o que eu disse lá em cima, eles procuram brechas nos desejos mais ocultos do público para transformá-los em necessidades e canalizam esta para a venda de seus produtos. Porém, ao meu ver, a coisa saiu do controle. Estão massacrando o amor próprio das pessoas, para depois “salvá-las” com suas mercadorias (e, é claro, lucrando com isso). É uma forma de escravizar as pessoas em seu interior. Este artigo, de Henriette Valéria da Silva, discorre muito bem sobre isso.

O padrão de beleza é criado e difundido pela moda. E esta, propaga-se através de desfiles, comerciais, revistas, filmes, novelas, outdoors, internet, etc… enfim, está em todos os lugares. Para piorar, este padrão não é algo estático, muda cada vez mais rápido. Hora a moda é ser loiro(a), hora é ruivo(a), hora é moreno(a). Para as mulheres, hora é seios grandes, hora é seios pequenos…. Cintura fina (para as mulheres), abdômen sarado, estatura alta… E assim vai!

A moda precisa mudar, para que as pessoas continuem comprando as roupas do último momento. Porém, isso foi transferido para a aparência física, implicando em plásticas e silicone. Tem até quem chega ao absurdo de tirar uma costela para ficar com a cintura mais fina! (Mas, e quando a cintura fina sair de moda?). Temos a propagação da beleza construída. O aumento da quantidade de cirurgiões plásticos (inclusive dos charlatões) e relacionado estética é o resultado desse fenômeno. Quantas mulheres não morreram nessas cirurgias? Ou tiveram o corpo deformado pelo erro do médico?

Indústria da Beleza - Beleza Artificial
Indústria da Beleza – Beleza Artificial – Foto retirada deste site.

Meu avô sempre (diz) dizia: “A maior herança que recebemos de nossos pais é a beleza única”.

Todavia, o principal revés disso tudo são as doenças psicológicas que elas causam. Principalmente a mulherada, fica paranoica, criando bulimia e anorexia, que acabam com a própria saúde. A vontade de ser como as modelos, alcançado o estilo de vida mostrado nas campanhas, é tanta que chegam a este ponto. E, quantas não perdem a vida por causa disso?

Estes dois distúrbios psicológicos deram origem a expressões como Ana e Mia. Eu desconhecia esse termo, quando o vi, achei que se tratava de algo relacionado à “anemia” (bom, na verdade está, de forma indireta)! Porém, Ana representa a anorexia e Mia, a bulimia. E, o que me assustou, foi saber que existem pessoas pró Ana e pró Mia, ou seja, que é a favor de ser anoréxica e/ou bulímica!

Estamos nos esquecendo do conceito de beleza. O belo não é algo que pode ser padronizado. Isso está intrinsecamente ligado ao olhar de quem vê. Uma pessoa pode ser linda para X, mas feia para Y, ou mais ou menos para Z. Afinal, cada um tem (ou deveria ter) um gosto diferente. Como dizem: “O que seria do amarelo se todos gostassem do azul?”.

No entanto, é verdade que é mais fácil uma pessoa se tornar mais atraente, quando ela ama a si mesmo. E isso não tem nada a ver com a aparência física, e sim como ela se sente em relação a si mesma. O médico, psiquiatra, psicoterapeuta, doutor em psicanálise, professor, e escritor Augusto Cury disse em seu livro “A Ditadura da Beleza e a Revolução das Mulheres“:

“Aprenda diariamente a ter um caso de amor com a pessoa bela que você é, desenvolva um romance com a sua própria história. Não se compare a ninguém, pois cada um de nós é um personagem único no teatro da vida” (Augusto Cury)

Isso tudo implica na autoestima. É preciso elevá-la e protegê-la do que a mídia impõe, e dos seguidores destas, que irão julgar/criticar. É essencial parar de se comparar. Aliás, comparar nunca é bom para ninguém! E é uma atitude sem sentido algum. Cada pessoa é maravilhosa e única! Tem características próprias, modo de pensar próprio, uma história própria, dons próprios, gostos próprios, virtudes próprias, medos próprios, traumas próprios… Enfim, não existem duas pessoas iguais! Então porque no quesito “aparência” (beleza) querem ser todos padronizados?

“Nada mais seguro do que ser igual a todo mundo. Da minha parte eu nego, prefiro ser uma metamorfose ambulante, nem melhor, nem pior, apenas diferente” (Friedrich Nietzsche)

Já imaginou se todos fossem iguais? E com gostos iguais? Magros, altos, sarados, olhos claros… Que chato seria, não? O que dá brilho às pessoas são as diferenças! Cada pessoa é linda de um jeito diferente! Assim como são as flores! A rosa e a margarida são diferentes, mas ambas são lindas! E, é claro, há quem prefira rosas, e a quem goste mais de margaridas, e não há nada de errado ou ruim nisso!

Cada um é muito mais do que a própria beleza exterior. O corpo não é você! Quem nunca conheceu uma pessoa que achou estonteante de tão belíssima, mas que ao conhece-la mais profundamente (seu jeito de ser, seu caráter, suas manias) o “encanto” desapareceu? Ou o contrário, alguém que não se destaca pela aparência, mas ao conhecê-la melhor, se torna surpreendentemente linda? Isso prova que a beleza verdadeira é o conjunto todo! Mas 90% vem do interior!

Com isso, não estou dizendo que não devemos nos preocupar com o corpo. Mantê-lo saudável é importante! Cuidar dele é algo muito bom! Mas que não se torne um motivo de neurose.

Se fizer exercícios, faça-o para se sentir bem! Dieta? A melhor dieta é comer de tudo um pouco, de forma moderada e em intervalo de tempo regular! E isso é bom para a saúde! Não tem nada a ver em querer desesperadamente emagrecer.

Quanto à roupa, calçados, cabelos e outras coisas relacionados à moda, não precisa ser o que está em voga! Use o que gosta! O que faz você sentir-se maravilhoso(a)! E daí se for diferente? E daí se alguém reparar e estranhar? O importante é estar de bem consigo mesmo, e ser feliz! Assim como é mostrado no documentário que mencionei no início do post.

Como disse em minha postagem anterior:

“Preocupe-se mais com sua consciência do que com a sua reputação. Porque sua consciência é o que você é, e sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, não é problema nosso… é problema deles.”

Precisamos curar a autoestima da humanidade. São escravas do que lhes são impostos, mas isso ocorre pois não aprenderam a questionar. A mídia é a causadora, mas não a culpada. A culpa é de nós mesmos, por nos deixarmos ser dominados pela insegurança e ansiedade; por não nos conhecermos o suficiente para nos apaixonarmos pela nossa existência; por faltar determinação para bater o pé e dizer “O que vocês (mídia/indústria da beleza) estão oferecendo, eu não quero! Eu não sou e nem preciso ser assim!”.

É necessário parar de seguir o fluxo da maioria (que segue a moda), e começar a refletir o caminho que deseja seguir, definir quem você é, realmente.

Desejo, profundamente, que as pessoas parem para pensar, para se conhecerem e passem a se amar de verdade, assim mesmo, como é agora! Sem se preocupar com os olhares alheios. Afinal, quem ama alguém de verdade, o(a) ama por ser quem é.

Por hoje é só!

E nunca se esqueçam! O maior de todos os tesouros são os seus sonhos!

Abraços

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